Lima Peru
Em uma multicolorida feira de artesanato realizada no
povoado peruano de Pisac, no caminho entre Cuzco e Machu Picchu, a dona de
uma das dezenas de barraquinhas - que é uma típica descendente de
índios, com pele morena e olhos levemente puxados - pergunta: "O que
você vai falar do meu país no Brasil?" A questão não é difícil
de responder.
Com pelo menos 10 mil anos de história ricamente
registrada - sim, muitas outras civilizações avançadas habitaram o Peru
antes do poderoso império inca -, o país fascina e intriga pelo legado
indígena ainda bastante presente no modo de cultivar a terra, na
arquitetura, na cerâmica e na confecção de tecidos, por exemplo.
Impressiona também a força da cultura pré-hispânica
entre os nativos que, pela Cordilheira dos Andes afora, falam quíchua - a
língua usada nos tempos dos incas -, mascam folhas de coca, bebem chichá
e chichá morada (cerveja e refresco, respectivamente, obtidos do milho) e
usam coloridas vestimentas, muitas vezes feitas com pêlo de lhama ou de
alpaca.
Com 8 milhões de habitantes e um trânsito que é,
disparado, ainda mais caótico que o de São Paulo - normalmente não se
vê faixa de pedestres nas ruas e o barulho das buzinas é constante -,
Lima, a capital peruana, pode ser a porta de entrada para as maravilhas do
mundo inca.
Fundada pelo conquistador espanhol Francisco Pizarro em
1535 para diluir o poder, até então concentrado em Cuzco, a capital do
império inca, Lima tem algumas características bem peculiares. Uma delas
é que o sol só brilha nos meses de verão - nos outros, é o clima
abafado e um céu cinzento que acompanham o visitante durante sua estada.
Mas a boa notícia é que a chuva dificilmente
atrapalhará um passeio, qualquer que seja a época do ano, já que a
cidade tem um dos menores índices pluviométricos do Peru. Isso pode ser
comprovado pela inexistência de bueiros e até pela falta de telhados nas
casas dos bairros mais pobres.
A edificação por parte dos espanhóis rendeu muitas
construções coloniais à capital, boa parte acompanhada de sacadas e
detalhes de madeira. Um bom exemplo desse conjunto está na Plaza de
Armas, em que quase todos os prédios são amarelos. Um deles é a
Catedral de Lima, do século 18, que guarda o túmulo de Pizarro,
assassinado em 1541. Como a cidade está assentada sobre uma região de
abalos sísmicos, a igreja é quase toda feita com madeira e gesso,
materiais mais flexíveis e mais capazes de resistir a terremotos.
Também ficam na praça a sede da prefeitura e o
Palácio do Governo, onde despacha o presidente Alejandro Toledo. Ali, ao
lado da bandeira peruana, está uma outra, com as cores do arco-íris.
Para os mais desavisados, trata-se apenas de uma homenagem ao povo inca,
que utilizava esse conjunto de cores como símbolo.